Tudo sobre Sorocaba!

         Sorocaba (pronuncia-se AFI[so̞ɾo̞ˈkabɐ]) é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo. É a segunda cidade mais populosa do interior paulista (precedida por Campinas) e a mais populosa da região sudeste paulista com uma população de 723.682 habitantes, de acordo com o Censo 2022 realizado pelo IBGE, sendo uma capital regional.

Possui uma área de 450,38 km². O município está integrado — junto com a Grande São Paulo, a Região Metropolitana de Campinas, a Região Metropolitana de JundiaíRegiao Metropolitana de Piracicaba, a Região Metropolitana da Baixada Santista e a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte — ao Complexo Metropolitano Expandido, uma megalópole que ultrapassa os 30 milhões de habitantes (cerca 75% da população paulista) e que é a primeira aglomeração urbana do tipo no hemisfério sul. Região Metropolitana de Sorocaba é composta por 27 municípios que somam aproximadamente 2,06 milhões de habitantes.

A cidade é um importante polo industrial do estado de São Paulo e do Brasil, sendo que sua produção industrial chega a mais de 120 países, atingindo um PIB acima dos R$ 32 bilhões, o décimo nono maior do país, a frente de capitais como São LuísBelémVitóriaNatal e Florianópolis.  As principais bases de sua economia são os setores de indústria, comércio e serviços, com mais 22 mil empresas instaladas, sendo mais de duas mil delas indústrias.

Etimologia

A palavra sorocaba vem do tupi sorok ("rasgar"), -ab, um afixo que indica o lugar onde algo é feito, e -a, um sufixo substantivador. Assim, Sorocaba significa "lugar da rasgadura".

História

Pré-história

As bases físicas sobre as quais se encontra o município começaram a ganhar forma há milhões de anos, com a definição geológica da bacia do rio Sorocaba, na chamada depressão periférica. Até há pouco tempo, a historiografia sorocabana afirmava que a região em que se encontra o município de Sorocaba era habitada antes de sua fundação por índios Tupis. A prova disso seria um mapa de Guilherme Blaeu, de 1640, em que a região de Sorocaba aparece em território Tupiniquim e as urnas funerárias encontradas na cidade. No entanto, um estudo recente, publicado na REU (Revista de Estudos Universitários) da Uniso (Universidade de Sorocaba), demonstrou que o mapa citado como prova pela historiografia sorocabana é incorreto, tratando-se de uma sobreposição moderna de dois outros mapas, o Plata Americae provincia de Corneille Wytfliet e o Accuratissima Brasilae Tabula de Joannes Janssonius.

Além disso, sabe-se que os Tupi se localizavam na costa do Brasil e não no interior, como fica evidente no trabalho do arqueólogo Joaquim Brochado. Por fim, o importante mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju localiza a região de Sorocaba em território Jê. Portanto, ao contrário do que afirma a historiografia sorocabana, a hipótese de que Sorocaba fosse fundada em território Tupi está completamente fora de cogitação. Da mesma forma, a ideia de que o Peabiru cortasse a cidade de Sorocaba permitindo o comércio dos índios com os incas não passa de especulação e carece de fontes históricas e arqueológicas. No entanto até hoje são encontradas cerâmicas indígenas. Por exemplo, durante escavações efetuadas para a instalação do sistema de esgoto em fevereiro de 2006, encontraram-se pedaços de cerâmica rústica a cerca de dez quilômetros do centro da cidade, no bairro Brigadeiro Tobias. Diferentemente do que a antiga historiografia sorocabana prega, esses pedaços de cerâmica não foram produzidos por índios "pré-históricos", mas por indígenas escravizados levados pelos fundadores da vila de Sorocaba.

No ano de 2022, o acervo arqueológico do MHS passou por um processo de reorganização e curadoria por iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, e o material cerâmico foi identificado pelos profissionais arqueólogos como tradição tupi-guarani do período pré-histórico a partir de 1.500 anos atrás e os resultados foram publicados na Revista da Universidade de Sorocaba (UNISO).

Colonização

Os bandeirantes passavam por essa região quando iam para Minas Gerais e Mato Grosso à procura de ouroprata e ferro. Em 1589, o português Afonso Sardinha esteve no morro de Araçoiaba à procura do ouro mas encontrou somente minério de ferro. No local, nesse ano, Afonso Sardinha construiu a primeira casa da região, que deu origem à fundação da vila de Nossa Senhora da Ponte de Monte Serrat, mudando-se para a vila de São Filipe no Itavuvu em 1611. Por ordem do então governador-geral do Brasil (período entre 1591 e 1602), Dom Francisco de Sousa, foi inaugurado o pelourinho (símbolo do poder real) na vila de Nossa Senhora da Ponte de Monte Serrat, no morro de Araçoiaba em 1599. Após o retorno de dom Francisco à corte, o capitão Baltasar Fernandes instalou-se na região em 1654 com família e escravaria indígena vindas de Santana de Parnaíba nas terras que recebeu do rei de Portugal. Fundou então, a 15 de agosto de 1654, um povoado com o nome de Sorocaba. O nome foi dado conforme a etimologia apresentada na seção "Etimologia".

Baltasar Fernandes doou terras aos beneditinos de Parnaíba, para que estes construíssem um convento e uma escola. Essa edificação foi o mosteiro de São Bento, fundado em 1660. O povoado foi elevado a município no dia 3 de março de 1661, passando a chamar-se vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba e, na ocasião, foi instalada a primeira câmara municipal.

O primeiro ciclo a marcar a vida econômica de Sorocaba foi o bandeirismo, quando os Sorocabanos aprofundaram-se além das linhas de Tordesilhas, montando entrepostos comerciais e de mineração. Os bandeirantes sorocabanos Paschoal Moreira Cabral e Miguel Sutil são fundadores da cidade de Cuiabá, no estado de Mato Grosso. Segundo uma historiografia antiga, as cidades de São Paulo exportavam indígenas escravizados ao nordeste açucareir. No entanto, foi demonstrado pelo importante historiador John Manuel Monteiro que São Paulo concentrava mão de obra escrava indígena para a produção agrária. Portanto, não é verdade que os bandeirantes paulistas caçavam índios para vendê-los às fazendas nordestinas. Os bandeirantes aprisionavam índios para que eles fossem escravizados nas próprias fazendas paulistas e em Sorocaba não foi diferente. Ségio Buarque de Holanda mostrou que Sorocaba nos séculos XVII e XVIII vivia intensamente e tinha importante produção agrícola. Diferentemente dos negros escravizados, os indígenas escravizados não habitavam senzalas, mas pequenas aldeias nas fazendas paulistas. Em Sorocaba, a escravidão indígena era tão difundida nos séculos XVII e XVIII, que até mesmo os padres mantinham indígenas escravizados. Assim, a cerâmica indígena encontrada em Sorocaba atualmente não foi feita pelos índios antes da colonização, mas por indígenas escravizados que habitavam a cidade.

A partir do século XVIII, o bandeirantismo de predação foi gradativamente substituído pelo comércio de mulas. O coronel Cristóvão Pereira de Abreu, um dos fundadores do estado do Rio Grande do Sul, conduziu pelas ruas do povoado a primeira tropa de muares no ano de 1733, inaugurando o ciclo do tropeirismo. Sorocaba tornou-se um marco obrigatório para os tropeiros devido a sua posição estratégica, eixo econômico entre as regiões Norte, Nordeste e Sul. Com o fluxo de tropeiros, o povoado ganhou uma feira onde os brasileiros de todos os estados reuniam-se para comercializar animais, a feira de Sorocaba. Este fluxo intenso de pessoas e riquezas promoveu o desenvolvimento do comércio e das indústrias caseiras baseadas na confecção de facas, facões, redes de pesca, doces e objetos de couro para a montaria.


Geografia

Panorama da cidade a partir do bairro Mangal

A cidade localiza-se a 87 km de distância da capital do Estado. Se situa às margens de uma importante ferrovia, a Linha Tronco da antiga Estrada de Ferro Sorocabana, que acompanhou todo o seu desenvolvimento. As principais rodovias são a Castelo Branco (SP-280) e Raposo Tavares (SP-270). É atravessada pelo Rio Sorocaba, afluente da margem esquerda do Rio Tietê. O município de Sorocaba situa-se sob o Trópico de Capricórnio, na latitude 23° 26′ 16″. No entroncamento da Rodovia José Ermírio de Morais (SP-75, Castelinho) com a interligação para a Rodovia Raposo Tavares, a Rodovia Dr Celso Charuri (SP-91/270), há um marco sinalizando o Trópico.

Possui um dos maiores pátios ferroviários do Brasil, de onde há um entroncamento entre as linhas férreas da Estrada de Ferro Sorocabana e da Estrada de Ferro Elétrica Votorantim, hoje ambas estando sob concessão da Rumo Logística para o transporte de cargas.

O relevo é classificado como ondulado, caracterizado por vertentes e altos de serra, com altitude média de 632 metros em relação ao nível do mar. A maior altitude é de 1.028 metros, nas cabeceiras do rio Pirajibu, na Serra de São Francisco, próximo a Alumínio. A menor altitude 539 metros está no vale no Rio Sorocaba. Em termos geomorfológicos, Sorocaba situa-se na borda da Depressão Periférica Paulista, na Linha de Queda Apalachiana, conforme definida pelo Prof. Aziz Ab'Saber. Essa configuração deve-se ao fato de Sorocaba situar-se no limite entre o Planalto Atlântico, que compreende domínio de rochas cristalinas, com relevos mais elevados e as rochas da Bacia Sedimentar do Paraná com relevo mais ondulado e altitudes mais baixas. O Rio Sorocaba e sua bacia são responsáveis pela dissecação do relevo.

A vegetação natural original era de mata atlântica, com locais de floresta ombrófila densa de montanha. Domina a vegetação de cerrado e secundária em vários estágios de sucessão (capoeiras).

Clima

Sorocaba apresenta um clima subtropical. Durante o verão, os dias são bastante quentes e as noites as temperaturas são suaves. O inverno é ameno, sendo Julho o mês mais frio e o mais quente Fevereiro. O índice pluviométrico fica em torno de 1 300 milímetros por ano. De acordo com a classificação de Köppen, Sorocaba pode ser classificada com clima dominante do tipo "Cwa", que caracteriza clima subtropical quente, com chuvas de verão e temperatura no mês mais quente ≥ 22 °C.

Geadas ocorrem esporadicamente em regiões mais afastadas do centro e massas de ar polar acompanhadas de excessiva nebulosidade às vezes fazem com que as temperaturas permaneçam baixas, mesmo durante a tarde. Tardes com temperaturas máximas que variam entre 14 °C e 16 °C são comuns até mesmo durante o outono e o início da primavera. Durante o inverno, já houve vários registros de tardes em que a temperatura sequer ultrapassou a marca dos 10 C°


Hidrografia

Vista do Rio Sorocaba para quem chega à cidade pela Rodovia Castello Branco, sentido capital-interior.

A cidade situa-se na bacia hidrográfica do Rio Sorocaba, com área de 5.269 km². O rio Sorocaba é formado pelos rios Sorocabuçu e Sorocamirim. Suas cabeceiras estão localizadas nos municípios de IbiúnaCotiaVargem Grande Paulista e São Roque. Percorre 227 km e é o maior e principal afluente da margem esquerda do rio Tietê, desembocando no município de Laranjal Paulista.

O rio Sorocaba atravessa a área do município de Sorocaba na direção sul-norte, em grande parte acompanhado pelas vias marginais. Pela margem direita, os afluentes mais importantes são Água Podre, Tavacahi, Taquaravari e Pirajibu, o maior deles; pela margem esquerda os afluentes são o Supiriri, Córrego Fundo, Caguassu, Olaria, Itanguá, Ipanema, Sarapuí, Pirapora e Tatuí.

O maior manancial de água da região de Sorocaba é o reservatório de Itupararanga, também conhecido como Represa da Light, cuja barragem foi construída no canyon do rio Sorocaba, na Serra de São Francisco. A área da represa é protegida pela Apa da Represa de Itupararanga.

Em termos de águas subterrâneas, as características geológicas da região de Sorocaba incluem os sistemas aquíferos Cristalino, nas rochas de embasamento e Tubarão, nas rochas sedimentares do Grupo Itararé da Bacia do Paraná.

Meio ambiente

Jardim Botânico Irmãos Villas Bôas
Entrada principal para o Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros.

A cidade é considerada uma das mais sustentáveis do Brasil, possui Planejamento Estratégico com base em dois eixos internacionais de desenvolvimento. Um deles, é o conceito de "Cidade Saudável", iniciativa da Organização Mundial da Saúde o conceito propõe políticas públicas com vistas à utilização do espaço urbano como promotor de qualidade de vida, tendo como modelo Montreal, no Canadá.

Em Sorocaba, se encontra o Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, inaugurado em 20 de outubro de 1968, reconhecido nacional e internacionalmente, pelos trabalhos que desenvolve nas áreas de pesquisas científicas, conservacionismo, preservacionismo e educação ambiental tendo a classificação “A”, a mais alta outorgada pelo IBAMA, tem em seu interior uma faixa de mata atlântica de transição em estágio secundário, um lago, o Museu Histórico Sorocabano e abrigava em 1992, segundo levantamento feito pela Sociedade de Zoológicos do Brasil, um total de 1.487 espécimes de 353 espécies entre mamíferos, aves e répteis, sendo setenta por cento pertencentes à fauna brasileira, tendo, dentre elas, 36 espécies ameaçadas de extinção. Em 2004 foram incorporados novos métodos de exibição, como fossos para primatas, ou como o aviário que proporciona aos visitantes uma experiência onde os pássaros voam em volta deles, enquanto ainda se mantem o bem estar e segurança dos animais. O zoológico é referência na América Latina no que se refere a lazer, pesquisa, preservação e educação ambiental e recebeu em 2007 mais de 1 milhão de visitantes, dentre eles estudantes de 81 cidades do estado de São Paulo.

Desde o ano 2000, a Prefeitura de Sorocaba, por meio do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), vem desenvolvendo as obras do Programa de Despoluição do Rio Sorocaba. Trata-se de um plano de intervenções que consiste na coleta, afastamento e tratamento de todo o esgoto produzido na cidade, livrando os leitos dos córregos e do rio Sorocaba dessa carga de efluente. O projeto já está em fase final de conclusão. O Rio Sorocaba já foi considerado um dos mais poluídos do país. O "Megaplantio" também é uma ação ambiental da prefeitura de Sorocaba, coordenada pela Secretaria do Meio Ambiente, que integra o Plano de Arborização Urbana. Em determinadas datas a população é convidada a participar do plantio simultâneo de milhares de mudas de árvores de mais de 100 espécies. Até o final de 2012 haviam sido plantadas quase 500 mil mudas no município.

Desde junho de 2013 as Concessionárias de veículos do município são obrigadas a plantar mudas de árvores para cada veículo zero-quilômetro vendido na cidade paulista, de acordo com a Lei Municipal nº 8 568. Para cada carro vendido, uma árvore plantada.]</ref> Com base no número de veículos zero-quilômetro vendidos no município, estima-se que por ano mais de 25 mil novas mudas devem ser plantadas pelas concessionárias. A lei não é válida para as concessionárias de veículos usados. O projeto contribuirá com o plantio de mudas no município e, consequentemente, com a diminuição do dióxido de carbono, emitido em grande parte pelos veículos, responsável pelo Efeito estufa.

Em 2013 cidade foi uma das oito cidades escolhidas pela ONU para participar do Projeto Urban LEDS (Promovendo Estratégias de Desenvolvimento Urbano de Baixo Carbono em Países Emergentes), criado pela ONU-Habitat e a Comissão Europeia e que tem o ICLEI - Governos Locais pela Sustentabilidade como principal implementador. O projeto dará apoio técnico e financeiro para os municípios. Serão disponibilizados 6,7 milhões de euros para apoiar iniciativas de baixa emissão de carbono em áreas urbanas do Brasil, África do Sul, Índia e Indonésia, nos municípios participantes do projeto. A intenção é impulsionar o crescimento acelerado de cidades verdes do Brasil, o projeto prevê mudanças nas cidades escolhidas até 2015.

A cidade conquistou quatro vezes seguidas o Selo Verde e Azul. O certificado "Município Verde Azul" garante à administração prioridade na captação de recursos junto ao Estado, por meio do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição (Fecop). Para obter o selo, os municípios têm que atingir uma nota mínima de 80 numa escala de 0 a 100. A pontuação é dada com base no desempenho em dez diretivas: Esgoto TratadoResíduos SólidosArborização UrbanaEducação AmbientalCidade sustentávelUso da ÁguaEstrutura Ambiental e Conselho Ambiental.[35] Em 2013, Sorocaba conquistou o 1º lugar no Programa Município Verde Azul, subindo quatro posições no ranking ambiental em relação a 2012, da sétima para a terceira. A cidade também recebeu o "Prêmio Franco Montoro" por ser a melhor classificada no Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sorocaba e Médio Tietê (CBH-SMT).

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